Com o Plano Calçadas (Plan Veredas), que começa em novembro, e uma agenda de obras no Parque Rodó e no Espacio Mauá, a Prefeitura de Montevidéu aposta em uma cidade mais fácil de percorrer a pé. Contamos o que vem por aí e por que o espaço público pesa cada vez mais na hora de escolher onde morar.
Caminhar pela cidade
Montevidéu tem um jeito muito próprio de ser vivida a pé: a rambla, os parques históricos, os bulevares e a trama de ruas e calçadas. É assim que a descreve Marcelo Roux, diretor de Espaços Públicos da Prefeitura (Intendencia), em entrevista à Caras y Caretas publicada em 21 de outubro de 2026. Para Roux, o grande diferencial da cidade é a relação direta entre os bairros e as praias: os lugares do cotidiano e do trabalho convivem com aqueles que historicamente foram de lazer.
Na mesma semana, a Prefeitura detalhou quando começam as obras do seu Plano Calçadas. Juntas, as duas notícias desenham uma agenda com um objetivo simples: tornar a caminhada por Montevidéu mais confortável e mais segura.
Plano Calçadas: o que é e quando começa
Segundo o El País (21/10/2026), o plano se apoia em três linhas: construir calçadas em assentamentos onde hoje não existem, reparar trechos de avenidas e fazer obras pontuais nos bairros. A Prefeitura espera iniciar os trabalhos em novembro. Conforme informaram outros veículos no mesmo mês, como o El Observador, o investimento total previsto é de US$ 38,5 milhões: cerca de US$ 15 milhões para assentamentos, US$ 14 milhões para avenidas e US$ 9,5 milhões para bairros.
As regras mudam conforme o caso. Onde não há calçada e é preciso construí-la do zero, a obra e o custo ficam por conta da Prefeitura. Onde é preciso reparar uma calçada existente, o trecho em frente a cada imóvel cabe ao morador. Ele receberá uma comunicação com os metros quadrados a reparar, descontados os danos causados pela arborização. Terá dez dias para se apresentar ao centro comunal da sua zona se quiser fazer a obra por conta própria, e 45 dias para começá-la. Se não se apresentar, a Prefeitura fica habilitada a fazê-la. O El País informa que o metro quadrado de calçada custa cerca de 4.000 pesos uruguaios.
Entre as áreas priorizadas estão Casabó, Santa Catalina e Tres Ombúes; Casavalle e Marconi; Malvín Norte e entorno; Hipódromo e Piedras Blancas; e Torre 8, Verdisol e Maldonado. Nas avenidas, a lista inclui trechos de Luis Batlle Berres, Carlos María Ramírez, General Flores, Instrucciones, Aparicio Saravia, Camino Carrasco, Mataojo e César Mayo Gutiérrez.
Parque Rodó: piso novo e mais verde
Na Caras y Caretas, Roux organiza o trabalho em quatro linhas: cuidar, transformar, criar e programar os espaços públicos. A Prefeitura mantém cerca de 1.000 hectares de áreas verdes.
Na linha de transformação, o projeto mais visível é o Parque Rodó, um dos mais visitados da cidade. A praga do bicudo-vermelho obrigou a retirar muitas palmeiras mortas, e os caminhos têm problemas. A licitação pública prevista contempla renovar cerca de 30.000 m² de piso, ampliar as áreas verdes, intervir no entorno do lago, onde se projeta uma espécie de anfiteatro, e melhorar os pavilhões. A iluminação já foi renovada, e o plano soma árvores, arbustos, espécies herbáceas e melhorias no parquinho. No Prado, também se projeta recuperar o Roseiral, que hoje conserva cerca de 50 das mais de 300 variedades de rosas que teve no início do século XX.
O Espacio Mauá, parte do patrimônio industrial de Montevidéu, ficou fechado por muito tempo. Segundo Roux, sua recuperação é pensada como um processo gradual. A primeira etapa abriu o local com condições de segurança, um cercado para orientar o percurso e uma fotogaleria sobre sua história. A segunda, já em andamento, inclui o reparo do muro externo, a recuperação de dois espaços (um deles para uma proposta gastronômica ainda não definida) e banheiros adequados.
O objetivo, explica, é que Montevidéu ganhe um novo lugar de acesso ao horizonte e à água. Ao longo dos 22 quilômetros de rambla há poucos pontos assim, com menos ruído de trânsito e uma relação mais direta com o rio.
Por que isso importa na hora de escolher onde morar
Para Roux, um espaço público só existe de verdade quando as pessoas o usam: ali se pratica esporte, se come, se estuda e até se trabalha. Ele também aponta que manter e melhorar os parques centrais busca fazer com que mais pessoas voltem a morar nessas áreas.
Para quem procura um imóvel nos bairros da orla, a qualidade da rambla, dos parques e das calçadas faz parte da vida diária: sair para correr, ir a pé a um café ou levar as crianças à praça. Não há números que meçam quanto cada obra soma ao valor de um imóvel, mas o entorno é, cada vez mais, um dos critérios para escolher um bairro.
Se você pensa em se mudar ou investir em Montevidéu e quer conhecer como se vive em cada bairro, a Blk. Realty acompanha você.
Blk. Realty · Uruguay
Fontes
El País, "Plan Veredas en Montevideo: jerarca detalló cuándo comienzan las obras para hacer la ciudad más caminable", 21/10/2026: https://www.elpais.com.uy/informacion/servicios/plan-veredas-en-montevideo-jerarca-detallo-cuando-comienzan-las-obras-para-hacer-la-ciudad-mas-caminable
Caras y Caretas, entrevista com Marcelo Roux, 21/10/2026: https://www.carasycaretas.com.uy/entrevistas/del-parque-rodo-al-maua-proyectos-transformar-espacios-publicos-montevideo-n100379
El Observador, "Plan Veredas: la IM invertirá US$ 38,5 millones…", 02/10/2026: https://www.elobservador.com.uy/nacional/plan-veredas-la-im-invertira-us-385-millones-y-los-vecinos-podran-financiar-los-arreglos-10-anos-n6059176